25 de julho de 2026

A Mídia e a busca incessante da terceira via inviável, por Luís Nassif

Duas convicções: a candidatura de Flávio B. naufragará e há a possibilidade de surgir outro candidato fabricado de direita
Zema, Renan e Caiado - Reprodução

A mídia, especialmente O Globo, intensifica críticas a Flávio Bolsonaro e destaca Lula em reportagens favoráveis.
Pesquisas indicam possível candidatura competitiva na direita, com destaque para Ronaldo Caiado e Renan Soares.
Renan Soares é comparado a Bukele, mas preocupa pela falta de experiência e risco de desgaste político similar a Collor.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

De repente, parece que caiu a ficha da mídia em relação a Lula. O Globo, principalmente, parece ter saído da fracassada Operação Lava Jato 2 para dar apoio ostensivo a Lula. São reportagens seguidas sobre as falhas de Flávio Bolsonaro, entremeadas de matérias favoráveis a Lula. Sem elogiar Lula diretamente, o Estadão publica editoriais contundentes contra Flávio, enquanto a Folha se limita a ecoar O Globo nas matérias negativas contra o candidato.

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Por trás desse movimento articulado, duas convicções. A primeira é a de que mais bombas virão pelo caminho e que a candidatura de Flávio naufragará. A segunda é a possibilidade de surgir outra candidatura competitiva na direita — do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao representante do MBL, Renan Soares.

O melhor termômetro para isso não são os jornais, mas Ciro Gomes que, depois de perder qualquer veleidade de voltar ao plano político nacional, esmera-se em encontrar algum presidenciável no qual se apoiar. Em suas últimas declarações, incluiu Caiado, de quem se diz “muito amigo”, e o promissor Renan, que sonha em repetir no Brasil a experiência de Nayib Bukele, presidente de El Salvador, que adotou uma política de prisões em massa contra supostos integrantes de gangues.

Em algum lugar desse oceano de pesquisas que afoga a opinião pública, apareceu Caiado superando Lula, dentro da margem de erro, em um segundo turno hipotético — e ele se vangloriou de ainda ser pouco conhecido. Talvez seja esse justamente o motivo. 

As pesquisas trabalham com três possíveis adversários de Lula. O governador de um grande estado, como Minas Gerais, poderia ser favorito entre os três, mas tornou-se mais conhecido por comer banana com casca em público.

O candidato que pode surgir como novidade, portanto, é o que se apresenta como o Bukele brasileiro.

Desde 2022, mais de 80 mil pessoas foram presas em El Salvador sob o regime de exceção, em meio a prisões arbitrárias, detenções sem devido processo legal e violações de direitos humanos.

Se Renan mostrar força nas pesquisas, mídia e Ciro certamente repetirão o erro cometido em outros países: apoiar um candidato de PowerPoint, sem nenhuma experiência política e que, se eleito, teria apenas um voluntarismo desvairado para se manter no cargo por algum tempo.

Já houve um caso assim, chamado Fernando Collor. E a saga da imprensa, caso consiga eleger Renan, será semelhante. Na campanha, apoio a ele (se as pesquisas indicarem chances). Eleito, apoio inicial às suas bandeiras — especialmente se indicar algum representante da Faria Lima para comandar a economia e conduzir uma nova rodada de privatização selvagem. Na sequência, o desgaste com sua falta de experiência política, as cabeçadas que dará implementando seu PowerPoint, até desembocar, em algum momento futuro, em outra campanha de impeachment.

Aliás, meu primeiro contato com Ciro foi em um café da manhã no Maksoud Plaza, no qual não parou de bater no governador Mário Covas por ter vetado a ida dos tucanos José Serra e Fernando Henrique Cardoso, para compor o gabinete de Collor.

Para esse pessoal, o Brasil é um eterno laboratório. De qualquer modo, é interessante acompanhar os movimentos de Ciro — não pelo que ele representa para o país, já que matou o que restava de suas ideias, mas pelo fato de funcionar como biruta de aeroporto, indicando o rumo dos ventos políticos.

Com todo esse carnaval, a candidatura de Lula continua sendo, inevitavelmente, a única boia contra o maremoto que sacode a política brasileira desde que o PSDB deixou de ser a segunda via. Isso ocorreu a partir da campanha de José Serra, em 2010, apelando a todo tipo de polarização primária e de ataques via redes sociais. Mas a ficha da rede de alianças do PSDB, da mídia ao Supremo, só caiu quando surgiu, em 2018, o monstro da Lagoa, na figura de Jair Bolsonaro.

Lula tem o bom apoio de Donald Trump, com suas ameaças ao Brasil, e a expectativa de um quarto governo no qual poderá lançar as bases de uma nova etapa de desenvolvimento.

E esse quadro se completará quando à figura de Lula — hoje a maior liderança democrática do mundo, o dirigente que defende todos os princípios internos e internacionais de uma democracia moribunda — baixar o espírito de Franklin Delano Roosevelt e seu New Deal, de De Gaulle e sua Quinta República, de Adenauer e a reconstrução alemã, de Nelson Mandela e a reconciliação nacional, e de Getúlio Vargas lançando as bases da modernização do Estado brasileiro.

A vantagem é que o país está hoje em condições muito melhores do que aquelas enfrentadas por cada um desses estadistas do século passado.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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8 Comentários
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  1. Veritas

    22 de julho de 2026 10:01 am

    A mídia , um quarto poder, não aprende com suas experiências fracassadas e altamente destrutivas para o país e para a própria mídia. Candidatos megalômanos, sem planos e articulação real nacional, apoiados pela mídia, apenas destroem instituições, empresas e não avançam em nenhuma construção estruturante para o país. Foi deste modo com Jânio, Collor, Temer e Bolsonaro. Resultado, crise política, violências, retrocessos sociais, econômicos, institucionais e geopolíticos. Toda a mídia deveria ter um olhar sempre crítico para esta direita populista destrutiva. E, claro, apoiar os candidatos que podem contribuir realmente para um avanço do desenvolvimento nacional e civilizacional do Brasil, de qualquer espectro político.

  2. Pedro Rocha

    22 de julho de 2026 10:29 am

    Em algum momento no início deste século aqui neste blog ouvía-se sobre a necessidade de conduzir a maior reforma estruturante de todas, “a mãe de todas as reformas”, a política. Chegou-se a dizer que o Lula, livre dos compromissos presidenciais após 2010, se dedicaria ao tema. Obviamente, nunca aconteceu. Há dois detalhes interessantes aqui, na verdade três. O primeiro é que a idéia do Lula sempre foi horrorosa, constituindo uma Assembléia Constituinte especialmente dedicada ao assunto. O segundo é que o Lula jamais foi capaz de conduzir qualquer reforma, ignora totalmente que neste país o Presidente da República é uma espécie de “imperador” e sua maior obrigação, SEMPRE desleixada, é ser um legislador (sobretudo no inícios de seus mandatos). O terceiro detalhe é como, apesar de todas as falhas, o Lula pode ser considerado esse enorme democrata, o cara que volta de modo épico pra “nos salvar do pior”. Ora ora, sempre foi apenas o cara que se acomodou em circunstâncias e contextos cada vez piores, nunca mexeu na mídia, nunca se incomodou com o judiciário, com os cartórios, o jogo do bicho, a insuportável quantidade de assassinatos, os abusos aos direitos humanos, péssimas condições de mobilidade urbana, a deterioração das condições ambientais etc etc etc. Sempre, na verdade, esteve muito bem acomodadinho no seu quadradinho e papel de representante e chefe de estado que estabelece relações diplomáticas com outros países enquanto sua casa pega fogo.

  3. AMBAR

    22 de julho de 2026 1:44 pm

    Não adianta o país estar em melhores condições do que aquelas enfrentadas pelos estadistas do século passado, se a população sofre de uma hipocondria implantada pelos arautos do caos.
    Quem será o alvissareiro a convencer o povo de que ele vai bem e poderá ir ainda melhor se mantiver o seu lider? Qual voz se destacará em meio aos sons mentirosos da balbúrdia?
    A voz de Lula já está rouca e cansada, ainda que seu discurso possa acalentar multidões. Se ele não souber escolher os meios de se fazer ouvir e representar, vai murmurar no vazio.

  4. jose machado

    23 de julho de 2026 9:05 am

    A direita perdeu o sentido de existir; ninguém pensa ao menos no desenvolvimento econômico
    do país. Aliás, eles não querem nada favorável para o Brasil. Só querem depredá-lo.

    O único inimigo plausível para a direita do Brasil, é exatamente a esquerda, obvio e ululante.
    Mas a surpresa é que não interessa quem vá governar no lugar da esquerda, pode ser
    qualquer tirano, golpista, crápula. Desde que apoie os interesses deles, podem
    governa até satanás que eles apoiam. Menos Lula, ou qualquer outro no poder.

    E para quê isso? Ora, para a mídia continuar a manter o povo ignorante do que está acontecendo.
    Continuarem a escalpelar o Estado, amealhando patrimônio público e riquezas minerais.
    E o mais importante; continuar a escravizar toda população, com a sangria do orçamento federal
    para a dívida pública e as operações de compras usando o cartão de créidito a Visa e Mastercard.

    É uma escravização pós-moderna por endividamento público, juros altíssimo até o limite de 50% do
    orçamento federal (isso é uma preocupação deles, interessante) e a bola de neve mortal da
    dívida no cartão de crédito (só existente aqui no Brasil e aceita pelo poder judiciário).

    Eles vão apoiar qualquer um que não seja Lula ou a esquerda. Pois esquerda no Poder, seja
    no Executivo ou Legislativo, significaria o fim do domínio deles.

  5. J. Alberto

    24 de julho de 2026 12:36 pm

    Não vejo mudança significativa de clima em 2026 comparado com 2024.
    Logo, assim como no 2° turno de 2024, o centrão deve levar praticamente tudo que disputar no 2° turno de 2026.
    Talvez até por uma margem maior, a depender do número de abstenções.
    Considerando que quem tem 16 anos hoje não viu o governo Dilma e nem o rabicho Temer, podemos dizer que os jovens de 16 anos ou mais foram fortemente influenciados pela pandemia, que desestabilizou o ambiente político.
    Quem não enxerga estabilidade política no país não se apega a continuísmos. Não se apega ao continuísmo da situação e nem ao continuísmo da oposição. Algo semelhante ao “cansei”, lembram? Ele voltou. O povo atingiu novamente o ponto de cansaço até mesmo da oposição.
    Uma onda vai se formando na direção do continuísmo, e o tamanho dessa onda só será conhecido no dia da eleição.
    Nem mesmo na véspera poderemos inferir o tamanho da onda. Porque até lá cada evento cotidiano pode alterar a percepção do eleitorado mais jovem a respeito dos candidatos.

  6. +almeida

    24 de julho de 2026 12:44 pm

    Nassif, eu entendo que a sua definição para a atual situação politica de Ciro Gomes, se encaixa perfeitamente na situação política e comportamental do PIG.
    A diferença, por enquanto, é que Ciro ainda não criou coragem para oportunizar a mesma carona que a mídia, por enquanto, parece pegar no vácuo do crescimento de Lula.
    * este comentário não absolve o vil comportamento de Lula contra os aposentados, em relação a RVT. Porém defender a democracia é minha bandeira contra a tirania.

  7. Marcos Vinicius

    25 de julho de 2026 4:51 pm

    O eleitor não esquece quem apoia disruptura política – seja ele eleitor da direita ou esquerda. Quando o PSDB na figura do Senhor Aécio Neves [MG] apoiou o impeachment da Dilma – o partido tucano entregou duas coisas: primeiro – incapacidade de articulação política, segundo o pouco apreço pela conservação institucional do país – essas escolhas corroeram o eleitorado do próprio partido – quem vai confiar em um partido que não sabe perder? Subjetivamente é isso que o eleitorado leu – eu mesmo li assim. O PSDB se permitiu fazer coisas acreditando que sairia fortalecido desse processo de radicalização. As lideranças do PSDB acreditaram na grande imprensa! Aceitaram a influência vinda da imprensa carioca – chegaram adotar inclusive os conselhos econômicos de lá – e a imprensa paulista que deveria ser naturalmente oposicionista ao pensamento da imprensa carioca fez o inverso, comprou o antipetismo deles, uniu com seu tradicional fascismo paulistano e potencializou um monstro do qual depois perderam o controle [o Bolsonarismo]. A Folha, o Estadão e a imprensa do interior paulista esperavam um resultado diferente desse processo? Agora esperam alguém forjado em seus noticiários para “salvar o Brasil”? A imprensa de S. Paulo deveria ter vergonha no que se tornou antes de querer empurrar qualquer tralha para a política nacional. Primeiro deveriam se livrar ideologicamente das amarras que os prendem ao pensamento e agenda disseminada na imprensa do Rio de Janeiro. Vamos ser claros – o antipetismo como conhecemos surgiu na imprensa carioca. Basta olhar que o grupo mais influente de comunicação e as outras duas grandes empresas de comunicação sediadas em S. Paulo – todas foram compradas ou fundadas por empresários fluminenses – todas elas têm um viés terrível de pensamento econômico, social e político – basta ver o jornalismo delas, basta ver como conduzem seus negócios. O pensamento da direita carioca levou para o buraco o estado do Rio de Janeiro e o Estado de São Paulo que sempre teve um quadro melhor de recursos humanos [políticos, pensadores, universidades de excelência, indústrias etc] é hoje influenciado por essa direita carioca [principalmente por políticos, empresários e jornalistas de lá que passaram atuar aqui – enfim]. O problema da terceira via é que ela é a mesma que o Bolsonarismo – ou agente acha que os eleitores do Caiado, Zema e Renan vão votar no Lula, pela nossa soberania ou pela democracia brasileira. Não ao contrário. A política se tornou pobre de ideias, pobre de interesse nacional e toda essa influência nefasta deriva do grande poder que tem a imprensa carioca de forjar ideias do qual ela não mensura seus efeitos e tornou o estado do Rio de Janeiro no que é hoje.

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